A segunda vez que a sereia voltou ao mar
Depois da minha primeira experiência, algo em mim mudou. Foi como se o mar tivesse me feito um convite silencioso para voltar. E eu aceitei. Nada de equipamentos novos ou figurinos de filme apenas com a prancha de surf do meu marido. A ideia era simples: sentir, aprender, continuar. E, claro, economizar também.
Vesti uma camisola velha, uns calções por cima, e fui com coragem e frio na barriga. Literalmente frio. A água estava gelada, daquelas que fazem o corpo inteiro despertar. Mas não foi isso que me fez hesitar. Diferente da primeira vez, meu marido não me empurrou na direção das ondas. E isso foi uma escolha minha.
Eu queria tentar sozinha.
Queria entender o esforço, o ritmo, a dança entre mim e o mar — sem ninguém me conduzindo. Queria sentir o que era correr atrás da onda, remar com vontade, prestar atenção no tempo certo de levantar o olhar e sentir ela vindo. Foi mais difícil, claro. Teve momentos em que quase desisti. Cai, engoli água, cansei os braços. Mas também teve aquele instante precioso — quando a onda me levou.
Dessa vez, não teve mágica imediata. Teve conquista. Teve suor. Teve a sensação de que aquela onda foi mais merecida, mais intensa. Porque eu fui atrás dela. Porque, mesmo sem técnica perfeita, eu estive ali de verdade. Presente. Persistente.
A sereia dentro de mim não se assustou com o cansaço. Pelo contrário, ela ficou mais viva do que nunca.
E eu? Já estou sonhando com a próxima vez. Porque o mar me chamou de novo — e eu ainda tenho muito pra viver lá dentro.
Fiquem por aí. A história ainda está só começando.
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