Minha Primeira Onda: o dia em que a sereia acordou
Dizem que toda mulher tem um pouco de sereia dentro de si. No meu caso, essa sereia estava adormecida, até o dia em que resolvi encarar o mar de verdade — não só com os olhos, mas com o corpo inteiro. Foi o dia em que saí da areia e mergulhei na minha primeira experiência com bodyboard/surf.
A verdade? Sempre admirei o mar. A imensidão azul, as ondas quebrando, o cheiro de sal no vento… mas tinha um medinho escondido ali também. Aquele respeito que a gente tem por algo tão grandioso. Eu nunca tinha tentado surfar, nem bodyboard. Ficava só na beira, olhando de longe. Mas tinha uma coisa em mim — aquela inquietação curiosa, aquela vontade de saber *como seria* — que não me deixava em paz.
Meu marido, que já surfa há anos, percebeu esse brilho nos meus olhos e um dia me chamou:
"Vamos tentar? Eu te ajudo. Vai ser leve, você vai amar."
E eu fui.
Coloquei o leash, vesti o colete, respirei fundo e segurei a prancha como quem segura um bilhete de ida pra um lugar desconhecido. Ele ficou ao meu lado o tempo todo. Eu estava nervosa, mas ele estava ali, firme e tranquilo. Isso me deu coragem.
Na primeira onda, ele me empurrou gentilmente — e ali aconteceu algo mágico.
O medo virou vento no rosto.
O frio na barriga virou gargalhada.
E aquela onda, simples, pequena, foi como um abraço do mar dizendo:
*"Você sempre foi daqui."*
Eu não fiquei em pé, não fiz manobras, nem dominei nada. Mas vivi.
Deslizei.
E por um instante, eu era água também.
Não sei quantas ondas peguei depois. Na verdade, não importa. O que importa é que naquele dia, a sereia dentro de mim acordou. E ela quer mais.
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